quinta-feira, 10 de maio de 2007

EsPaÇo CuLtUrAl CaSa Do FeRnAnDo


Fruto do amor do fotógrafo Fernando Barbosa e Silva pelo bairro Padre Eustáquio, o Espaço Cultural Casa do Fernando já é uma realidade há três anos. Fernando nasceu no bairro e é um de seus moradores mais fiéis e ativos, deixando-o poucas vezes como local de sua residência. Assim como no início de sua carreira, quando foi para Itabira, trabalhar na fase áurea do Jornal O Cometa Itabirano, onde Fernando adquiriu não somente a experiência profissional como repórter e fotógrafo, como também a consciência que lhe dá a vontade de participar e interferir em seu meio social.
A casa da rua Francisco Bicalho, 668, que ainda preserva um belo jardim ‘intra-muros" e árvores altas e frondosas, foi, aos poucos, servindo de base para projetos do inquieto fotógrafo. Em 1.987 ao realizar o Concurso de Fotografia Padre Eustáquio Van Lieshout, projeto idealizado e levado adiante por Fernando Barbosa. Reuniu patrocinadores, empresas e instituições (Colégio Padre Eustáquio), contando com 1595 trabalhos inscritos de 383 participantes, ao longo de quatro anos consecutivos. Os trabalhos foram expostos no Colégio Padre Eustáquio, Galeria de Arte do SESC, ICBEU, USIPA - Ipatinga-MG e no saguão da PBH e que receberam mais de 10.000 visitantes. Em 1.991, a quarta edição deste concurso é também a última edição do Concurso, uma seqüência que reuniu participantes de outras regiões de país, revelando profissionais que vieram a ser reconhecidos nacional e internacionalmente. Esta etapa foi uma semente do que viria a ser depois o Espaço Cultural Casa do Fernando, já que foi em sua residência que se fez toda a produção dos eventos.
Passado um período de quatro anos fotografando formaturas de Faculdades de Belo Horizonte, Fernando Barbosa ligou-se especialmente ao teatro, realizando seus melhores trabalhos como fotógrafo nos palcos belorizontinos, atividade que jamais deixou, para a qual é mais solicitado.. O Caderno Cultura do Estado de Minas de 14 de julho de 2.004 trouxe reportagem que explica muito bem como aquela semente de um espaço cultural veio a germinar: "Como fotógrafo da Companhia de Teatro-Escola de Arte, o diretor Luiz Paixão, adaptou-se a Casa do Fernando, para montar o espetáculo Todas as Mulheres são Maria que, itinerante, se desenrolava na a área externa do imóvel e no interior da casa. Segundo Fernando Barbosa, 35 pessoas, no máximo, podiam assistir cada apresentação." Luiz Paixão quem batizou o local como Espaço Cultural Casa do Fernando. O espetáculo ficou em cartaz no espaço da rua Francisco Bicalho por um ano e meio, tendo participado da Campanha de Popularização do Teatro e Dança do ano de 2004. Foi ainda o Estado de Minas que publicou matéria da crítica de teatro Cláudia Arreguy sobre a peça, que reservou o final do seu texto para comentar sobre o espaço alternativo: "Além de ajudar a descentralizar os espaços da campanha de popularização e oferecer opção aos moradores da região, o lugar é bonito e simpático." O Espaço Cultural serviu de palco para as peças O Alienista, com direção e adaptação de Carlos Delgado, Brinquedo Proibido, este tendo completado 10 anos em 2005, e Simplesmente Viver, escritas e dirigidas por Fernando Barbosa. Com ênfase em temática psicológica, Brinquedo Proibido valeu para o autor o reconhecimento de psicólogos, sendo inusitado o convite que recebeu para ministrar palestra "A Arte Resgatando a Dignidade Humana" em março de 2.005 promovida pelo grupo AP-PA, Amigos e Parentes dos Psicóticos Anônimos, na Faculdade de Medicina, profissionais da área de saúde mental.
Segundo a psicóloga Clevane Pessoa... "meu parecer sobre o espetáculo Brinquedo Proibido tem sido lido por pessoas que acessam o meu blog no Brasil e no exterior , e brevemente será publicado meu comentário sobre o espetáculo num jornal para brasileiros na Alemanha.
Aos poucos, Fernando Barbosa foi tomando consciência de que a casa da rua Francisco Bicalho deveria alcançar uma nova condição como Espaço Cultural, mais completo, capaz de receber e promover projetos de empreendedores de artistas de vários segmentos da produção cultural. Mais que isso, ser um local oferecido não somente à comunidade do bairro Padre Eustáquio, mas também aos locais de sua influência, junto aos circuitos culturais de Belo Horizonte. É uma nova etapa e um novo desafio que o repórter fotográfico, autor e diretor teatral, não poderá vencer sem a participação de profissionais, empresas, entidades e órgãos públicos.

Rogério Romano
Jornalista & Escritor

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